COMUNICADO DO PRESIDENTE INTERINO DO MpD NA SEQUÊNCIA DA DIVULGAÇÃO DOS RESULTADOS PROVISÓRIOS PELO GAPE

Wednesday, September 9, 2026

Caros Militantes

Como Presidente Interino, com mandato estendido por força da lamentável tragédia na Ilha do Fogo que ceifou a vida de 25 pessoas e enlutou centenas de pessoas, a quem mais uma vez reitero os meus profundos e sentidos pêsames, vejo-me na incumbência de apelar à calma e à serenidade neste momento delicado que atravessamos, como partido do arco do poder e na oposição firme e clara ao Paicv, mas também responsável.

Momentos emocionais favorecem sempre a tentação de busca palavras sonoras, impactantes e até demolidoras, em vez da atitude sensata de pesar cada palavra, de avaliar a sua utilidade no presente e os seus efeitos para o futuro do partido que queremos construir. Nas dificuldades, a tendência natural é encontrar logo um culpado. Mas na adversidade, seja quem for o vencedor, seremos sempre poucos para o que necessitamos fazer. Não é altura para se presumir atos e comportamentos desonrosos ou inapropriados baseados em intimas convicções, mas sim momento em que se mostra necessário um esforço sério de diálogo e entendimento, se não nos fins, ao menos nos métodos e procedimentos.

Pessoalmente, e como Presidente Interino, confio inteiramente na honradez dos responsáveis do GAPE e dos funcionários da sede. Não se mostra de todo razoável imputar-se-lhes desonra. São militantes, pais, filhos, maridos, mulheres, mães e avós. Fazem o que podem e sabem fazer e temos a obrigação moral de os respeitar e de acreditar de que o fazem com rectidão. O que não significa que estarão isentos de erros, próprios de qualquer atividade humana. Mas os erros, existindo, podem e devem ser corrigidos, pois o GAPE não constrói resultados, proclama-os apenas com base em documentação produzida pela mesa de voto.

Assim é e assim tem que ser como imperativo legal, ético e político! Deste modo, todos os seus atos são facilmente verificáveis, com serenidade e tranquilidade. Para isso precisamos todos de confiar no nos órgãos democraticamente eleitos na última convenção. A justiça eleitoral não pode ser considerada boa apenas quando nos favorece, sem prejuízo de esgotarmos todos os meios de defesa ao nosso alcance.

Há gente certamente que acha que a honra é um conceito variavel em função dos seus interesses. E há quem certamente não verga a sua honra por coisa nenhuma, especialmente em favor da sua eventual simpatia pessoal e política.

Existem pessoas, poucas certamente, que se inebriam com a balbúrdia e a confusão, vivendo para o caos, atiçando sempre a fogueira, para seu próprio proveito. Mas estamos num tempo em que é mais importante o que estamos a fazer hoje e agora pelo MpD do que a exibição de imaculados currículos de serviço partidário prestado no passado.

Procurar a unidade como valor essencial e o consenso como método para resolvermos os diferendos não é sinal de fraqueza, mas de maturidade e responsabilidade.

Confiemos nos órgãos e no sistema MpD, pois que a alternativa é sempre de longe pior nos resultados e nas consequências. Fazer uso de todos os meios regulares para fazer valer o que é justo é um direito, ou mesmo um dever político e moral, mas que tudo se faça num clima que não prejudique os valores essenciais que devemos prosseguir. Muitas acusações hoje atiradas ao público são munições de combate gratuitamente oferecidas aos nossos verdadeiros e históricos adversários políticos hoje e amanhã.

Nos momentos como este, pensar duas vezes primeiro e exteriorizar depois não é perda de tempo, mas encargo que se impõe como dever de militância!

Que o bom senso e o diálogo prevaleçam neste momento particular! Os candidatos - todos eles! — São chamados para garantir as condições internas que permitam ao MpD otimizar os seus resultados nos próximos embates eleitorais!

O Presidente Interino do MpD

Eurico Monteiro.

Praia, aos 9 de setembro de 2026.