
COMUNICADO DE IMPRENSA- Posicionamento do MpD sobre a tomada de posse do novo Governo
Saturday, June 20, 2026
O dia de ontem (19 de junho de 2026) foi mais um politicamente relevante para a Nação: foi empossado o novo governo de Cabo Verde liderado pelo Dr. Francisco de Carvalho, em consequência dos resultados das eleições legislativas de 17 de maio passado.
Estranhamente, a comunicação social do país não procurou ouvir a opinião dos diferentes partidos da oposição, especialmente os com representação parlamentar, todos presentes no ato de posse, preferindo observações genéricas, como se tivessemos voltado a um qualquer periodo monolitico.
O MpD exprime votos de sucessos à nova equipa governativa, nesta honrosa e complexa missão de servir Cabo Verde, ciente de que as promessas eleitorais são para serem cumpridas.
Auguramos sucessos na governação, mas reiteramos que o nosso papel de oposição vai ser exercido em prol da nação, com responsabilidade e com a eficácia que o povo exige.
Afinal, o que é bom para o país também o é para o MpD: a nossa razão de ser é contribuir empenhadamente para o desenvolvimento de Cabo Verde e pela constante melhoria das condições de vida dos cabo-verdianos, principalmente dos mais desfavorecidos.
Seremos uma oposição, seria, firme e responsável. Não contestamos por contestar, mas seremos exigentes no que respeita aos compromissos assumidos pelo Paicv e seu Presidente, agora Primeiro Ministro.
Tomamos nota que o novo governo começa por faltar à palavra dada, exatamente por não cumprir, logo no primeiro dia, algumas das suas mais vincadas promessas eleitorais.
Primeiro: um governo de um PM, 11 ministros e 2 secretários de estado, ou seja, uma equipa governativa de 14 membros. Temos uma equipa com 15 ministros e 3 secretários de estado: 18 membros.
O tão propalado corte nas gorduras do Estado, que tantos votos terá rendido, fica desde logo comprometido.
Segundo: a equidade de género foi tema várias vezes erigido como valor político essencial para o Paicv, tendo amplamente criticado o MpD de não valorizar as mulheres.
O que temos agora?
O governo com a menor participação de sempre de mulheres numa equipa governativa, pelo menos desde a implantação da democracia: 2 ministras e uma secretária de estado em 18 membros de governo.
As mulheres, neste governo, estão muito mal representadas do ponto de vista numérico, o que é uma pena.
Terceiro: esperamos que a acostumada agressividade e virulência no discurso político de certas individualidades agora chamadas para cargos de governação não venham a ser repescadas, primando-se antes pela contenção verbal e moderação, pois que o país precisa de tranquilidade e de soluções alinhadas com as fortes promessas eleitorais, com prazos marcados de concretização, e não de crispação política permanente que só serve para inibir os cidadãos da necessária participação política.
Por último, mas não menos importante: não podemos deixar de manifestar a nossa reserva quanto ao figurino apresentado de o Primeiro Ministro assumir, ao mesmo tempo, a pasta das Finanças.
O Ministério da Finanças, sobretudo nos dias de hoje, para além da grande complexidade técnica que encerra e intensidade de esforço permanente que exige, é motor do sistema, com profundo e efetivo impacto na taxa de crescimento da economia, nas receitas do Estado, no rendimento das famílias, no cumprimento de obrigações internacionais assumidas, na estabilidade macro-económica do País, nos mais variados níveis, com reflexo acentuado no acesso ao crédito, na paridade fixa do escudo com o Euro e no relacionamento privilegiado que temos com as instituições financeiras parceiras de Cabo Verde.
Para nós é fundamental assegurar um ótimo nível de desempenho técnico no Ministério das Finanças, gerador de confiança dos investidores e dos parceiros internacionais.
E não nos parece que essa função seja compativel com a de coordenar e dirigir toda a atividade governativa. É, do nosso ponto de vista, uma proposta muito arriscada, com potenciais prejuízos graves para o país.
A ver vamos!
Praia, Sede do MpD, 20 de junho de 2026.