A vida das pessoas não pode ser uma opção

Friday, October 23, 2026

O Movimento para a Democracia está hoje aqui por uma razão simples: a vida das famílias caboverdianas está cada vez mais difícil, e as respostas do Governo não estão à altura.

Não viemos explicar o problema. Os cabo-verdianos conhecem-no melhor do que ninguém. Sentemno na bomba de combustível, no mercado, na paragem da hiace e na botija de gás. Viemos dizer o que está a acontecer, o que ainda vai acontecer e o que propomos para proteger as famílias.

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O que as famílias já sentem

Desde junho, o litro de gasolina passou de 163 para 197 escudos. O litro de gasóleo passou de 137 para 190 escudos. Um taxista que trabalha o dia inteiro gasta hoje cerca de 15 mil escudos a mais por mês só em combustível. É como se trabalhasse vários dias por mês apenas para pagar o aumento.

Para muitas famílias, o dinheiro do mês já acaba antes do fim do mês. E há um facto que importa sublinhar: a cada subida dos preços, o Estado recebe mais impostos. As famílias pagam mais, o Estado arrecada mais.

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O pior ainda não chegou

O aumento dos combustíveis é como uma onda. Primeiro chega à bomba. Depois chega a tudo o resto. Quase tudo o que comemos chega de barco, de camião ou de hiace. Quando o transporte fica mais caro, o arroz, o óleo, o peixe e os legumes ficam mais caros a seguir. É isso que as famílias vão sentir nas próximas semanas, nas prateleiras das lojas.

Novembro é o mês em que as famílias começam a preparar o Natal e a receber a diáspora. Tudo indica que o cabaz de Natal deste ano será dos mais caros dos últimos anos. O gás de cozinha só não subiu mais porque o Governo o está a segurar. Se deixar de o fazer, a botija pode passar os 2.100 escudos. E a seguir pode vir a conta da luz e da água, porque grande parte da nossa eletricidade é produzida com gasóleo.

Tudo isto acontece com a economia a andar mais devagar. As instituições internacionais já preveem para Cabo Verde um crescimento menor do que aquele que o Governo continua a anunciar. É como subir uma ladeira com o motor a perder força e o combustível cada vez mais caro, enquanto o condutor garante que está tudo bem.

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A resposta do Governo

Perante isto, o que fez o Governo?

Primeiro, diz que os preços não dependem de uma decisão sua. Mas decidiu segurar o preço do gás. Ou seja, quando quer, decide. E decidiu deixar de fora o taxista, o motorista de hiace e o pescador. Segundo, em julho, deixou cair o travão que impedia os preços de subir de repente. Agora admite voltar a pensar nele. Foram três meses sem travão, e quem pagou foram as famílias. Terceiro, o apoio à pesca. O gasóleo da pesca subiu cerca de 75 escudos por litro. O Governo devolve menos de 10.

É um copo de água para quem tem a casa a inundar. Esse apoio foi aprovado para outubro, novembro e dezembro, mas sem as regras necessárias para funcionar. Ao ritmo a que as coisas estão a andar, o dinheiro dificilmente chegará antes do fim de novembro. Um apoio anunciado para três meses arrisca valer apenas um. E deixou de fora os pescadores artesanais e as peixeiras.

Em muitas das nossas comunidades, a peixeira é a mulher do pescador. Quando os dois ficam de fora, não é uma pessoa que fica sem apoio. É uma família inteira. Protege uns e esquece outros. Afinal, Cabo Verde não é para todos?

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O que o MpD propõe

O MpD não se limita a criticar. Apresentámos no Parlamento propostas concretas, com conta feita.

Um Cheque Combustível de 8 mil escudos por mês para cada táxi e cada hiace, com o compromisso de o preço das corridas e das viagens não subir.

Um Cheque Pesca, em que o Estado paga metade do aumento do gasóleo da pesca, para todos os pescadores, incluindo os artesanais.

Um Cheque Gás Família de 500 escudos por mês, para as famílias mais vulneráveis comprarem gás de cozinha.

Quem paga? O próprio aumento.

O Estado já está a receber mais impostos por causa da subida dos preços. O que propomos é devolver esse dinheiro a quem mais precisa, sem pedir emprestado e sem nova dívida. E o que sobrar deve ir para a energia do sol e do vento, para que a próxima crise nos encontre menos dependentes do petróleo.

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Três perguntas ao Governo

Deixamos hoje três perguntas ao Governo, que o país merece ver respondidas.

Vai continuar a segurar o preço do gás em novembro e em dezembro?

Quanto dinheiro recebeu o Estado a mais em impostos sobre os combustíveis desde julho?

Quando chega, de facto, o apoio aos pescadores, e porque deixou de fora os pescadores artesanais e as peixeiras?

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Conclusão

O MpD é uma oposição responsável. Não viemos aqui para alarmar ninguém, nem para fazer promessas fáceis. Viemos dizer a verdade e apresentar soluções.

Quando governámos e os preços dos combustíveis subiram, o MpD também apoiou as famílias. Pusemos travão aos aumentos, dissemos quanto custava e de onde vinha o dinheiro, e agimos a tempo. E fizemo-lo com menos receita do que aquela que o atual Governo está hoje a arrecadar com a subida dos preços.

Por isso, não é uma questão de dinheiro. É uma questão de escolha. Os cabo-verdianos não precisam que lhes expliquem o problema. Precisam que o resolvam. Não se apaga um incêndio com um copo de água. E o pior ainda não chegou. Por isso, é agora que é preciso agir.

Porque a vida das pessoas não pode ser uma opção.

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